sexta-feira, 13 de maio de 2011

Chegadas e Partidas

Diálogo de um casal

Ela: Você viu aqueles dois?
Ele: Vi sim, você acha que dura?
Ela: Nunca dura, sempre muda. Culpa nossa!
Ele: Que orgulho, não?! Poderíamos abrir uma empresa disso...
Ela: Disso o quê?
Ele: Disso, oras!
Ela: Do quê você está falando, homem? Dá pra explicar?
Ele: Nossa, tá tão difícil assim? Quer que eu desenhe?
Ela: Olha a grosseria...
Ele: Tá, desculpa. Foi brincadeira, poxa. Mas, enfim, somos bons no que fazemos e sempre
dá certo. Quer dizer, QUASE sempre. Mas, as pesquisas de público estão o nosso favor, dá
até pra investir nossas ações na bolsa.
Ela: E você acha que alguém compraria? Além do mais, nosso negócio não é o sucesso...
esquece essa história. Por quê precisamos de dinheiro, se somos felizes fazendo isso?
Ele: Sei lá, mas poderia ser um grande negócio...
Ela: Pára de sonhar, homem! Finque os pés no chão, e voltemos ao assunto inicial: você
acha que dura? Eu tenho certeza que a gente pode mudar tudo...
Ele: É, você é fogo! Eu reconheço meu potencial e me orgulho da minha eficiência, mas
sem você eu não conseguiria muita coisa não... por isso que te amo!
Ela: Ahhhhhh, só por isso???
Ele: Ah, amor, não começa vai! Foi só uma brincadeira, uma forma de dizer que você me
completa e nós dois formamos a dupla perfeita!
Ela: Não é bem o que os outros pensam...
Ele: E quem é que liga pro que eles pensam? Ops nós ligamos... Rá rá rá
Ela: Você não se sente mal com isso?
Ele: Por quê me sentiria? Fui feito pra isso, não é?
Ela: Não exatamente!
Ele: Você me entendeu, vai! Não fui feito pra isso, exatamente. Mas, sou muito eficiente na
função atual que tenho.
Ela: Verdade, pura verdade.
Ele: E você também, benzinho.
Ela: Pépépérae... você ouviu o que eles acabaram de dizer?
Ele: Ah, ouvi. Mas, desconsiderei. Você sabe que não depende deles, mas do que nós
vamos fazer com eles.
Ela: Me sinto tão maldosa assim. Pára vai, não precisamos disso!
Ele: Agora você vai recuar? Não acredito!!
Ela: Sei lá, me sinto mal quando vejo o desfecho!
Ele: Você sabe que depois começa tudo de novo, então porque se preocupa?
Ela: Porque eu sei que é importante pra eles?
Ele: Você é quem sabe... vai deixar a oportunidade passar ou vamos lá e botar pra quebrar?
Ela: Desculpa, mas dessa vez eu não consigo.
Ele: Por quê? O que é que tá pegando?
Ela: Eu consigo ver que eles são felizes, e não quero atrapalhar isso!

Ele: Tudo bem, se você não quer eu também não vou. Afinal, só dou certo com você!
Ela: Ah, que amor!
Ele: É a verdade, pô! Se eu tentar sozinho, vou me cansar e não vou desenvolver nada.
Ela: Tá, vamos embora. Depois continuamos...
Ele: Perai, tá chegando mais um... quer tentar?
Ela: Uau! Esse tá fácil demais... nem vou precisar me esforçar. Vamos lá!
Ele: Mas, e aquela história de não querer atrapalhar a felicidade alheia? Desistiu?
Ela: É que eles não parecem sinceros um com o outro. Vamos acabar fazendo um favor,
terminando isso logo...
Ele: Quem vai primeiro, eu ou você?
Ela: Vou primeiro, essa é fácil!
Ele: Tá bom, qualquer coisa é só chamar...

(cinco minutos depois)
Ela: Pronto! Mais fácil do que distrair criança...
Ele: Nossa, você foi rápida!
Ela: Não tinha conexão, era tudo falsidade. Foi só encostar o meu dedo que eles desistiram.
Melhor assim, né!
Ele: Que orgulho de você!

Essa foi a conversa entre o Sr. Tempo e a Sra. Circustâncias, ao ver uma dupla de amigos
conversando sobre sua amizade.
Por mais ficcional que seja o uso dessas figuras de linguagem, isso realmente acontece.
Esse casal é super eficiente em “despedidas”. Eles estão presentes em aeroportos, hospitais,
shoppings, escolas, faculdades, empresas, família e até mesmo na igreja.

A verdade é que alguns conseguem fazê-los desistir de tentar acabar com um
relacionamento. Outros, se deixam vencer muito fácil. Não importa a ordem. Pode ser
primeiro o teste do tempo, e depois o das circunstâncias. Ou vice-versa.
Pode ser que eles venham juntos, ou só um deles. Podem vir bem rápido, e também podem
ficar por longa data. Principalmente o tempo, que não mede esforços para executar sua
eficiência.

Sabe o que mais gosto neles dois? A realidade.
Dois amigos podem fazer mil promessas de fidelidade e amor eterno. Um casal de
namorados pode jurar uma eternidade juntos. E qualquer pessoa que se submeta a um
relacionamento, acaba apostando algumas fichas para alcançar o sucesso do mesmo.
Mas, é o famoso casal, mais conhecido como Sr. e Sra. “Prova de Fogo”, que confirmam as
promessas, planos e afins.
São eles quem ajudam a provar a sinceridade de um “pra sempre”.
E, ao mesmo tempo, são os pontapés das despedidas.

Depois que os conheci, aprendemos a conviver junto. Claro que, como todo
relacionamento, temos nossos altos e baixos. Já os quis eliminar, mas fui vencida pelo
cansaço e pelo Sr. Tempo. Também já tentei me fazer de heroína, mas a Sra. Circunstâncias

não é mole não.
No final das contas, aprendi a gostar. Hoje, sei que eles vêm para o bem, mesmo que seja
para ocasionarem despedidas.
E, sinceramente, foram eles que me ensinaram a grande lição: todo mundo precisa se
despedir!

Os indico para qualquer um, mas vou logo falando: são professores muito linha-dura!

O nada, virou tudo!

“Jogue suas mãos para os céus, e agradeça se, acaso, tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você”

É assim que a música soa, que a Paula Toller canta e que eu vivo hoje.

O fato é que, quando se conhece alguém especial, as coisas mudam radicalmente. E não há uma restrição de romance, para isso. Pode acontecer com qualquer pessoa, inclusive com um amigo.

É um sentimento excepcional, em que os olhares se encontram e o coração bate mais forte.

Aquela pessoa entende o sentimento, e corresponde (não necessariamente da mesma forma, mas corresponde).

O mundo pára de girar por 3 segundos, e se esquece de respirar. As mãos perdem o movimento, e não se sabe o que fazer durante algum tempo. Não se sabe se a ocasião merece um abraço ou uma lágrima. A única parte do corpo que mexe, é a boca: um sorriso!

Naquele momento, a mente viaja pelo invisível e encontra dois corações conectados. Dois corações amigos, ou irmãos ou, nos casos mais fortes, o amor!

Daquele momento em diante, entra na história a palavra “eterno”. Mesmo que não haja perspectiva a longo prazo

É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.