segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A moça do sonho, do encanto e da confusão

Quando eu me pergunto quem sou eu, sou o que pergunta ou o que não sabe a resposta?

Na verdade sou quase sempre o que não sabe a resposta, porque eu sempre vivi em constante mudança. Já se percebe pela fita métrica.

Sou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser. Sou a que um dia já evoluiu, já amou (e continua amando muito), sou a que já se decepcionou e que ainda pode se decepcionar muito,que prefere comer a ficar de conversa fiada, que prefere dormir a acordar cedo, e melhor ainda, acordar só pro almoço.

Somente um ser já compreendeu o que minha mente formula. Só Ele sabe me decifrar (algo que às vezes nem eu mesma consigo).

Há quem me ache estranha e sem graça, mas quem não ouve a melodia acha maluco quem dança. Quem não enxerga mais do que o visível, acha insano o seu próximo.

Apesar de ter um desejo enorme de ser diferente de todos descobri que, com todos, tenho muitas particularidades, menos com a bailarina.

Procurando bem

Todo mundo tem pereba

Marca de bexiga ou vacina

E tem piriri, tem lombriga, tem ameba

Só a bailarina que não tem

E não tem coceira

Berruga nem frieira

Nem falta de maneira

Ela não tem

Futucando bem

Todo mundo tem piolho

Ou tem cheiro de creolina

Todo mundo tem um irmão meio zarolho (ou um amigo)

Só a bailarina que não tem

Nem unha encardida

Nem dente com comida

Nem casca de ferida

Ela não tem

Não livra ninguém

Todo mundo tem remela

Quando acorda às seis da matina

Teve escarlatina

Ou tem febre amarela, ou catapora

Só a bailarina que não tem

Medo de subir, gente

Medo de cair, gente

Medo de vertigem

Quem não tem

Confessando bem

Todo mundo tem um primeiro namorado

Só a bailarina que não tem

Sujeira atrás da orelha

Bigode de groselha, ou de chantilly

Calcinha um pouco velha

Ela não tem

O padre também

Pode até ficar vermelho

Se o vento levanta a batina

Reparando bem, todo mundo tem

Sala sem mobília

Goteira na vasilha

Problema na família

Quem não tem?

Só a bailarina que não tem

Procurando bem

Todo mundo tem...

CIRANDA DA BAILARINA(adaptado por mim)

Chico Buarque - 1982

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Todos se dizem amigos; mas doido é quem acredita: nada há de mais banal que esse nome; nada é mais raro do que isso.

“Mas eu não quero ficar entre gente maluca”, Alice retrucou.
     “Oh, você não tem saída”, disse o Gato, “nós somos todos malucos aqui. Eu sou louco. Você é louca.”
     “Como você sabe que eu sou louca?”, perguntou Alice.
     “Você deve ser”, afirmou o Gato, “ou então não teria vindo para cá.”
     Alice não achou que isso provasse nada afinal: entretanto, ela continuou: “E como você sabe que você é maluco?”
     “Para começar”, disse o Gato, “um cachorro não é louco. Você concorda?”
     “Eu suponho que sim”, respondeu Alice.
     “Então, bem”, o Gato continuou, “você vê os cães rosnarem quando estão bravos e balançar o rabo quando estão contentes. Bem, eu rosno quando estou feliz e balanço o rabo quando estou bravo. Portanto, eu sou louco.”
     “Eu chamaria isso de ronronar, não rosnar”, disse Alice.
     “Chame do que você quiser”, disse o Gato.






Mais uma descoberta, que mais uma vez estava debaixo do meu nariz, e que incrivelmente mais uma vez me surpreendeu... sou estranha, e atraio pessoas estranhas pra perto de mim.
Para julgar um homem, basta observar seus amigos: tenho amigos mal-humorados, amigos irônicos, amigos carinhosos o bastante para não assumirem isto, amigos antipáticos demais para rir de uma piadinha sem-graça, amigos extravagantes demais que assustam as pessoas de fora, amigos cabeçudos demais que não abrem mão de suas opiniões...e enfim, amigos sinceros o bastante pra me dizer que meu cabelo está horrível! rs

Sim, eu tenho os melhores amigos! 
Amigos que estão perto, e tão perto que as vezes nem gostamos de ficar muito perto.
Amigos que estão longe, e de tão longe eu desejo que estejam muito perto.
Amigos que se escondem, mas que nunca os perco de vista.
Amigos que vivem comigo, e que mesmo assim vivemos nos desentendendo.
Amigos falsos? Não... a nossa amizade consiste na coragem de dizer a verdade, principalmente quando ela pode atingir o nosso ponto fraco. rs

Ai ai ai... descobri que não preciso de heróis, além dos meus padrinhos mágicos. Preciso de amigos, que não se vendam em lojas e sejam exclusivos...assim como são os meus!
Costumo dizer que somos amigos não porque concordamos com as mesmas coisas, mas porque DESCORDAMOS das mesmas coisas! E os verdadeiros amigos são os solitários que gostam de estar juntos...cada um com sua particularidade, seus defeitos, suas birras...e a mesma vontade de estar junto!


Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações... e a mesma raiva, e os mesmos desgostos...

Ahhh, amigos! Todos doidos, e somos tão parecidos!





(Aos meus queridos amigos, que sabem que esse texto é pra eles.)


-Amigos, não compareçam ao meu velório pois me matariam de vergonha!